E a droga, o seu culto, continua a conviver com os nossos filhos.
A heroína atingiu os sujeitos mais frágeis e inquietos de gerações
inteiras; trouxe à luz conflitos individuais e familiares, contradições sociais
e económicas, perante as quais a nossa sociedade se demonstrou ainda mais fraca
do que as pessoas que deveria proteger e ajudar. As intervenções revelaram-se
tardias e incoerentes; paralelamente a uma rede bastante escassa de serviços
públicos, aliás, pobre de meios e pessoal, cresceu, na tentativa de ajudar
milhares de desesperados e libertar as suas famílias.
Não foram as consciências que se perturbaram, mas as carteiras. Os
heroinómanos roubavam dinheiro e peças de ourivesaria em casa, rádios nos carros,
e depois roubavam reformadas de esticão, assaltavam lojas: a heroína foi
enquadrada sobretudo como um problema social e económico.
Tudo isto contribuiu para reforçar na opinião pública a imagem da heroína
como catástrofe de dimensões bíblicas, irreprimível e incompreensível na sua
origem. Talvez por isso, quando se falou de intervenção a favor dos
toxicodependentes, se tendesse a favorecer certas expectativas miraculosas; não
tratamento, mas cura total; não assistência, mas libertação do mal. Isto contribuiu
para permitir que neste campo pudesse intervir quem quer que fosse com qualquer
método sem que fosse exigido um mínimo de validez científica sobre a modalidade
de actuação: de psicoterapeutas refinados, a comunidades onde se criavam
cavaos, a toxicodependência tornou-se terra de ninguém, ou de todos.
Qualquer um no nosso país era livre para agir, qualquer método foi
considerado lícito desde que afiguentasse os perturbadores da nossa paz social,
do nosso bem-estar.
E agora que a heroína já não fascina os jovens como dantes, finge-se que entre eles não circulam fumos de cocaína, procura-se ignorar que todos os anos consomem quase cem milhões de pastilhas de ecstasy. Só se fala de novas drogas se um rapaz morre no parque de estacionamento de uma discoteca. Em família deixou de se discutir e muito menos na escola. E, no entanto, compreender o culto diferente que leva ao consumo das sustâncias de nova geração, forneceria elementos preciosos para interpretar uma perte consistente do mundo dos jovens de hoje e sobretudo das mudanças e deferenças relativamente às gerações precedentes.
O ecstasy representa em termos culturais e comunicativos o perfeito oposto
da heroína. As drogas de síntese não são assumidas para nos afastarmos dos
outros, mas para sermos aceites. A droga já não é um meio exacerbado para
apregoar a sua diferença anómala, mas o instrumento para recusar toda a
veleidade de transformação social. O jovem de hoje que se aproxima das novas
drogas parece querer dizer: “ O mundo está bem assim, a nós basta-nos fazer
parte dele”. Se a heroína era o grito dramático de quem sonhava um mundo
diferente, o ecstasy parece representar o medo dos mais jovens em não serem
aceites pelas regras que os vinculam à cultura mais consumista e competitiva.
Quando pergunto a um jovem porque é que toma ecstasy sábado à noite,
responde-me: - Assim sinto-me mais empático - . Isto é, mais inserido,
uniformizado, camuflado.
Recomendações:
- Preparar os jovens contra o uso e abuso de drogas
- Uma família unida que dá atenção aos filhos pode estar a fazer frente contra as drogas
- Há que pôr limites mas com amor
- Respeitar os alunos e considerá-los pessoas importantes
- Ensinar-lhes a exprimirem-se com segurança, sinceridade e alegria
- Os jovens que recebem expressões de afecto são mais comunicativos e seguros
- Seja um amigo, demonstrando-lhe confiança, para poder ouvir as suas confidencias
- Compreendê-los e orientá-los, doseando a autoridade
- Oriente-os e apoie-os para que aprendam a aceitar as suas responsabilidades
- Evite maus exmplos
- Escute-os e preste-lhes atenção
- Mostre interesse pelas suas ideias, inquietudes e preocupações
- Brinde-os com a possibilidade de se explicarem
- Critique-os de forma construtiva sem ridicularizá-los, desqualificá-los ou compará-los com outros
- Diga-lhes abertamente o que gosta neles, enfantizando o negativo e o positivo
- Respeite-os, tenha em conta as opiniões e gostos
Recomendações aos jovens da nossa sociedade:
- Cuidado com a pressão dos grupos;
- Estabelecer uma relação de vinculo com a escola;
- Manter a responsabilidade;
- Ocupar os tempos livres com desportos e outras actividades;
- Conhecer os seus próprios limites
- Ter cuidado com as experiências que têm com drogas
- Cuidado quando o consumo de álcool começa a ser repetido e regular;
- Tentar encontrar motivações e centros de interesse;
- Pedir ajuda quando precisa;
- Evitar comportamentos agressivos;
- Estabelecer relações saudáveis com os outros;
- Evitar o isolamento;
- Se te consideras um rapaz ou rapariga timída tenta encontrar em ti criatividade e inovação para te divertires sem necessitares de recorrer ao álcool ou às drogas.
Dr.ª Teresa Henriques, Psicóloga Clínica

Sem comentários:
Enviar um comentário