Os consumos de substâncias psicoactivas nunca foram tão diversos e alargados. Porém, também, nunca existiu uma promoção da noção de saúde e gestão de si próprio como actualmente. Continuamos a viver uma permanente crise no que concerne á Prevenção Primária do uso e abuso de substâncias psicoactivas ( drogas ).
Continuamos a investir na Prevenção Primária de um modo experimental. Se existe ainda um lado desconhecido no que diz respeito á problemática da toxicodependência, existe por outro lado informação e estudos que indicam como elaborar e desenvolver um Projecto de Prevenção Primária.
Contudo a realidade revela-nos um défice que ainda não foi superado. Podemos acusar o estado de não investir o necessário na Prevenção da Toxicodependência. Mas temos também de responsabilizar a sociedade civil em geral.
A saúde e a economia nunca estiveram tão ligadas nem nunca ocuparam lugares tão importantes no contrato social. Não é difícil concluir que prevenir é menos dispendioso que tratar. Porém é complexa a tarefa de incutir determinados valores em certos meios da sociedade. Como conseguir que uma tabaqueira pare de produzir tabaco?! Talvez não necessitemos de uma postura tão radical ou utópica.
Se comparamos as somas investidas pelas tabaqueiras, produtores de bebidas alcoólicas e alguns laboratórios farmacêuticos na promoção dos seus produtos e os valores irrisórios atribuídos á saúde pública e especificamente á Prevenção Primária das Toxicodependências, facilmente concluímos estar perante uma tarefa difícil.

O desenvolvimento económico influencia de uma forma devastadora o desenvolvimento ou não da Prevenção. Além de que temos de separar a Prevenção da Toxicodependência da designada “luta contra a droga “ Digamos que estamos claramente perante duas lutas diferentes, que embora possam perspectivar os mesmos objectivos, têm públicos alvo diferentes o que por si só obriga a diferentes estratégias e metodologia.
Sabemos hoje que prevenir comportamentos edictos não passa pela proibição nem tão pouco pela mera informação. Passa sim pelo respeito pelo outro enquanto sujeito portador de uma personalidade que encerra em si capacidades e debilidades, alegrias e mágoas. Prevenir o uso ou abuso de substâncias psicoactivas passa pelo dotar e garantir o desenvolvimento são de qualquer pessoa. Garantir que este detém a informação necessária acerca de substâncias psicoactivas ( drogas ) , seu uso e abuso. E acima de tudo garantir que este adquire e desenvolve as competências necessárias para fazer uma escolha saudável.
Estas competências passam pela promoção da auto-estima, capacidade de decisão, gestão de sentimentos, estimulação da motivação e criação de objectivos de vida; etc.
É na responsabilidade de garantir e fomentar estas competências que entra toda a sociedade civil.
Ser uma responsabilidade de todos não significa que todos temos de contribuir da mesma forma. É obrigatório que qualquer projecto de prevenção primária seja desenvolvido por profissionais. Profissionais que detenham suficiente formação na área dos comportamentos e substâncias psicoactivas. E se quando falamos de prevenção primária das toxicodependências falamos de saúde pública, então como em qualquer outro sistema devemos falar de equipas multidisciplinares e da activação de todos ou do maior número possível de dispositivos sociais que possam contribuir para o planeamento, desenvolvimento, execução e avaliação do projecto.
Parece que quanto mais nos debruçamos sobre a questão mais complexa ela se torna. De forma alguma devemos negar ou mesmo desvalorizar a sua complexidade. É através do seu reconhecimento que podemos definir estratégias de prevenção adequadas. Se reconhecermos esta complexidade poderemos partir para o reconhecimento e efectivo investimento, até mesmo económico, que uma boa estratégia exige.
Dra.ª Teresa Henriques
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